O polêmico concurso da Câmara Municipal de Guaratuba volta a ser destaque nesta terça-feira (21). O Ministério Público do Paraná (MPPR) ingressou com uma ação civil pública contra a Casa Legislativa, apontando uma série de irregularidades que podem resultar na anulação do certame, demissão de aprovados e punição de servidores envolvidos. O julgamento está marcado para as 14h, na Vara da Fazenda Pública de Guaratuba.
De acordo com o Inquérito Civil nº MPPR-0060.24.000198-8, a investigação apura indícios de favorecimento a candidatos ligados à Câmara, alterações no edital após a publicação, falhas na aplicação das provas e a contratação da banca organizadora sem critérios técnicos claros.
A empresa responsável, Instituto Social Univida – Centro Universitário Unifamma, foi contratada sem licitação, apenas pelo menor preço, sem análise de experiência ou reputação.
Entre os convocados para prestar depoimento estão Felipe Huning de Carvalho, Juliano da Rosa de Paula, Maria da Silva Batista, Paulo Eder de Araújo, Ricardo de Borba, Cátia Regina Silvano, Louis Thadeu Otto Trompczynski, Diego Pires, Wagner Bittencourt Valeze e Antonio Carlos Birck Junior.
O caso ganhou repercussão porque entre os aprovados há nomes diretamente ligados ao Legislativo Municipal, como Itamar Cidral da Silveira Junior, atual secretário de Habitação, que na época ocupava cargo de primeiro secretário e responsável pela contratação da empresa que realizaria o concurso, ficando em 2º lugar para o cargo de Analista de Recursos Humanos. Também aparecem Wagner Bittencourt Valeze, então diretor-geral da Câmara (2º lugar para Gestor Legislativo), Bruna Margarida dos Santos Lada, assessora jurídica da presidente da Câmara, e Rafael Schoulze, genro da vereadora Cátia Regina Silvano.
Segundo o MP, mesmo diante das suspeitas, a presidente da Câmara não se afastou da fiscalização do concurso, o que levanta questionamentos sobre a imparcialidade do processo.
Para muitos moradores, o concurso representou uma grande frustração. Diversos candidatos se prepararam e estudaram por meses, mas os aprovados foram justamente pessoas próximas ao poder político local.
Agora, Guaratuba espera respostas claras e uma decisão que traga transparência e justiça a um dos episódios mais controversos da política municipal recente.
