A indefinição sobre a sucessão estadual no Paraná ganhou novos contornos após declarações do secretário de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca (PSD), e do presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), diante da possibilidade de o governador Ratinho Junior escolher o secretário das Cidades, Guto Silva, como candidato do partido ao governo.
Em entrevista à Rádio Jovem Pan, Greca deixou claro o desconforto com a condução do processo. Segundo ele, o governador assumiu o papel de “árbitro do futuro de três pessoas”, ele próprio, Alexandre Curi e Guto Silva, e tem o direito de indicar seu preferido. No entanto, ressaltou que também cabe aos demais exercer o “livre-arbítrio” para definir seus caminhos políticos.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de construir sua trajetória em outra legenda, Greca afirmou que “tudo isso é possível”, negando qualquer clima de traição ou rompimento. Ele lembrou episódios internos do partido e destacou que mantém respeito pelo governador, frisando que jamais fará oposição ao Paraná.
Já Alexandre Curi adotou tom mais cauteloso. Em entrevista em Foz do Iguaçu, afirmou que não haverá “ruptura” nem “racha”, mesmo que o governador confirme Guto Silva como candidato. Segundo ele, pode haver uma “recomposição política” construída em diálogo com Ratinho Junior. Curi reiterou o desejo de disputar o governo, preferencialmente pelo PSD, mas garantiu que só tomará decisão após nova conversa com o governador, prevista para as próximas semanas.
Curi também enfatizou que mantém compromisso pessoal e político com Ratinho Junior, a quem classificou como um dos melhores governadores da história do Estado. Assim como Greca, afastou qualquer hipótese de migração para a oposição.
Nos bastidores, cresce a leitura de que, confirmada a escolha de Guto Silva, Greca e Curi poderão deixar o PSD para articular uma segunda candidatura no campo governista, evitando confronto direto com o atual governador, mas ampliando o leque de opções na sucessão estadual.
