Contradições da Sanepar escancaram incompetência e deixam Guaratuba sem água

Desabastecimento recorrente, baixa pressão e prejuízos ao comércio revelam falhas graves de planejamento e gestão no Litoral do Paraná

Redação Litorânea
Imagem ilustrativa via Freepik

A falta de água em Guaratuba deixou de ser um transtorno pontual para se transformar em um retrato explícito de incompetência na gestão de um serviço essencial. Mesmo após anúncios de normalização, o abastecimento segue irregular. Em alguns pontos da cidade a água até retorna, mas a pressão insuficiente impede o enchimento das caixas, fazendo com que o fornecimento volte a falhar poucas horas depois.

Enquanto moradores e turistas convivem com torneiras secas, declarações oficiais da Sanepar se acumulam em versões contraditórias e justificativas protocolares que não refletem a realidade do dia a dia. Falas atribuídas ao gerente-geral da companhia para Curitiba, Região Metropolitana e Litoral, Fábio Basso, têm sido alvo de críticas por tentar explicar o inexplicável em meio a um cenário caótico.

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Os prejuízos são concretos e generalizados. Comerciantes relatam perdas financeiras expressivas e, em muitos casos, o fechamento temporário dos estabelecimentos por absoluta falta de água. Turistas, frustrados, anteciparam o retorno às cidades de origem, justamente no período mais importante para a economia local. A situação chegou a tal ponto que virou motivo de ironia em meio à revolta nas redes sociais.

No dia 29 de dezembro, o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, afirmou que a alta demanda no Litoral já era esperada e que a companhia teria se preparado para o Verão Maior Paraná com investimentos superiores a R$ 22 milhões em logística, tecnologia e autonomia energética. Segundo ele, o calor excessivo teria elevado ainda mais o consumo, acompanhado de um apelo para que a população utilizasse a água de forma consciente.

A declaração foi recebida com indignação por quem sofre com o desabastecimento. Transferir à população a responsabilidade por um problema estrutural, em um período de aumento populacional amplamente previsível devido às festas de fim de ano, é visto como tentativa de minimizar falhas graves de planejamento e execução. O cenário é considerado lamentável, triste e desalentador para moradores, comerciantes e turistas.

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