O Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta que o Brasil terá cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, refletindo tanto o envelhecimento populacional quanto fatores de risco ligados ao estilo de vida e à desigualdade social. O levantamento evidencia que, enquanto algumas regiões enfrentam tumores preveníveis diagnosticados tardiamente, outras lidam com cânceres ligados ao envelhecimento e ao estilo urbano.
Panorama regional
Norte e Nordeste: predominam cânceres associados a falhas estruturais e baixa cobertura de prevenção. O câncer do colo do útero segue entre os mais incidentes, com quase 20 mil novos casos e mais de 7 mil mortes anuais. O câncer de estômago é frequente entre homens, relacionado a fatores socioeconômicos e infecções.
Sul e Sudeste: predominam tumores ligados ao envelhecimento e estilo de vida urbano, como mama, próstata e cólon e reto. O câncer colorretal preocupa pela alta incidência e mortalidade, agravada pela ausência de rastreamento nacional estruturado.
Taxas de incidência de câncer de mama por 100 mil mulheres:
- Norte: 33
- Sudeste: 88
- Sul: 77
Tipos de câncer mais comuns por gênero
Homens: próstata, cólon e reto, traqueia/brônquio/pulmão, estômago, cavidade oral, bexiga, esôfago, fígado, laringe e linfoma não Hodgkin.
Mulheres: mama feminina, cólon e reto, colo do útero, traqueia/brônquio/pulmão, glândula tireoide, corpo do útero, estômago, ovário, pâncreas e linfoma não Hodgkin.
Cânceres que mais matam no Brasil
Segundo dados de mortalidade de 2023:
- Traqueia, brônquio e pulmão: 31.237 óbitos
- Cólon e reto: 23.953
- Mama feminina: 20.165
- Próstata: 17.258
- Estômago: 14.823
- Pâncreas: 13.507
- Fígado: 11.199
- Sistema nervoso central: 10.206
- Esôfago: 8.488
- Leucemias: 7.435
Estimativa de novos casos no Paraná
| Tipo de câncer | Novos casos |
|---|---|
| Pele não melanoma | 15.260 |
| Mama feminina | 4.300 |
| Próstata | 3.370 |
| Cólon e reto | 3.620 |
| Traqueia, brônquio e pulmão | 2.410 |
| Estômago | 1.550 |
| Colo do útero | 1.120 |
| Cavidade oral | 1.090 |
| Glândula tireoide | 640 |
| Pâncreas | 970 |
| Bexiga | 750 |
| Linfoma não Hodgkin | 890 |
| Fígado | 760 |
| Leucemias | 810 |
| Sistema nervoso central | 830 |
| Esôfago | 830 |
| Corpo do útero | 450 |
| Pele melanoma | 840 |
| Laringe | 520 |
| Ovário | 470 |
| Linfoma de Hodgkin | 270 |
| Outras localizações | 4.160 |
Reflexos da desigualdade
Especialistas alertam que a mortalidade ainda é maior nas populações mais pobres, devido a diagnóstico tardio e menor acesso a prevenção. A baixa cobertura vacinal contra HPV e hepatite B agrava a incidência de cânceres preveníveis, especialmente o colo do útero.
O crescimento do câncer colorretal e a persistência da mortalidade por pulmão mostram a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce.
Como destaca o oncologista Fernando Maluf: “As desigualdades regionais determinam quem adoece e quem morre. É preciso ação imediata para reduzir o impacto do câncer no Brasil”.
