Mexilhões podem acumular microplásticos e aumentar o risco de exposição humana a esses contaminantes, segundo um estudo da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), publicado nesta segunda-feira (15). A pesquisa reforça um alerta já observado no Litoral do Paraná, onde a presença dessas partículas na cadeia alimentar marinha já foi identificada em peixes comercializados na região.
O estudo analisou a espécie Perna perna, coletada na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, e simulou condições ambientais em laboratório. Os resultados mostraram que os animais filtradores não conseguem diferenciar microalgas, seu alimento natural, de microplásticos presentes na água, consumindo ambos de forma praticamente indistinta.
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Segundo os pesquisadores, essa característica faz com que os mexilhões possam acumular microplásticos ao longo do tempo, além de contaminantes químicos que se aderem às partículas plásticas, aumentando o potencial de transferência desses poluentes para a alimentação humana.
No Litoral do Paraná, esse cenário já acende alerta. Uma pesquisa identificou microplásticos em 93,6% dos peixes analisados em feiras e mercados da região, com partículas encontradas em 44 dos 47 exemplares avaliados. O dado indica que a contaminação já está presente de forma ampla na cadeia alimentar marinha local.
Por serem organismos filtradores e frequentemente consumidos por comunidades costeiras, os mexilhões podem concentrar ainda mais essas partículas ao longo do tempo. Os pesquisadores destacam ainda que o cozimento dos alimentos não elimina microplásticos nem contaminantes químicos acumulados.
Diante desse cenário, cientistas defendem medidas para reduzir a poluição por plásticos na origem, incluindo restrição ao uso de descartáveis, melhoria na gestão de resíduos e monitoramento contínuo das áreas de pesca e maricultura no litoral.


