Mesmo com uma lei sancionada em dezembro de 2024 que determina a oferta de sensores digitais de glicemia pelo sistema público de saúde do Paraná, famílias de crianças com diabetes ainda aguardam a entrega dos dispositivos.
Os aparelhos permitem o monitoramento contínuo da glicose e fornecem resultados em segundos, a partir de uma pequena gota de sangue, ajudando no controle diário da doença. Cada sensor custa, em média, R$ 300 e dura cerca de duas semanas.
O caso de Felipe, de 9 anos, exemplifica a situação. Ele descobriu o diabetes há dois anos e chegou a usar o sensor gratuitamente durante um estudo clínico, mas após o fim da pesquisa, a família passou a custear o equipamento.
Segundo a mãe, Deise Ramos, o sensor facilita o acompanhamento da doença. “Furar o dedo é como uma foto e o sensor é como um vídeo”, afirma.
Sem o fornecimento pelo SUS, a família precisa improvisar financeiramente para manter o tratamento. “Eu compro dois sensores e parcelo em quatro vezes”, diz.
Situação semelhante vive a família de Benjamin, também de 9 anos. O pai, Alexandre Monteiro de Souza, relata insegurança com os custos. “A gente perde o chão”, desabafa.
Lei prevê distribuição pelo SUS
A legislação estabelece fornecimento para crianças e adolescentes de 4 a 17 anos com diabetes, mediante critérios como tratamento pelo SUS, baixa renda e laudo médico.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, cerca de 500 pacientes estão aptos ao programa no Paraná, com investimento estimado em R$ 5 milhões por ano.
Apesar disso, a implementação ainda não começou e não há previsão oficial de início da distribuição.
A pasta afirma que o processo de compra está em andamento e que a implantação será gradual, com prioridade inicial para beneficiários do Bolsa Família.
