Polícia Civil prende suspeito de fraudar sistemas judiciais

Investigado teria acessado ilegalmente processos no Paraná, realizado atendimentos virtuais a detentos e mantido contato com integrantes de organização criminosa

Carlos Moraes
Foto: PCPR

A Polícia Civil prendeu, nas primeiras horas desta quarta-feira (10), um homem suspeito de fraudar sistemas do Poder Judiciário em diferentes estados e atuar em benefício de uma organização criminosa. A prisão foi realizada em Fortaleza, no Ceará, com apoio da Polícia Civil local.

Segundo as investigações, o suspeito utilizava identidades falsas e certificados digitais para acessar indevidamente sistemas judiciais e parlatórios virtuais. Entre os crimes apurados estão falsidade ideológica, uso de documento falso e colaboração com organização criminosa.

A PCPR identificou que o investigado teria acessado, de forma fraudulenta, ao menos 80 processos de execução penal no Paraná. Além disso, utilizando credenciais falsas, realizou 118 atendimentos virtuais a detentos em unidades prisionais de Santa Catarina.

As apurações também apontam que ele mantinha contato com lideranças de uma organização criminosa catarinense. Conforme a polícia, o suspeito oferecia serviços ilícitos ao grupo, incluindo a promessa de transferências de presos mediante pagamentos que poderiam chegar a R$ 200 mil.

De acordo com o delegado Emmanoel David, o homem afirmava possuir contatos influentes no Supremo Tribunal Federal (STF) capazes de agilizar trâmites processuais em benefício da organização.

A investigação revelou ainda que ele utilizava indevidamente o registro profissional de um advogado paulista e chegou a atuar formalmente perante tribunais. Em uma sessão da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Ceará, realizou sustentação oral utilizando identidade falsa.

Para dificultar sua identificação, o suspeito alterou legalmente o próprio nome e fazia uso de dois números de CPF distintos, alternando os documentos conforme a fraude praticada.

O investigado possui antecedentes criminais desde a década de 1990. Em 2000, foi acusado de aplicar golpes contra bancos no Brasil e no exterior, com prejuízo estimado em cerca de US$ 30 milhões. Já em 2001, foi apontado como mentor de uma quadrilha que tentou clonar o cartão de crédito de um então governador de estado.

As investigações seguem para apurar a extensão das fraudes e a possível participação de outros envolvidos no esquema.

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