Estudo confirma perda de até 28% do peso com nova injeção semanal

Publicada na revista científica The Lancet, pesquisa mostra que a retatrutida alcançou resultados próximos aos da cirurgia bariátrica e também apresentou benefícios para apneia do sono e osteoartrite no joelho

Carlos Moraes
Medicamento tem mesmo mecanismo das canetas emagrecedoras de semaglutida e tirzepatida — Foto: Reprodução/TV Globo

Um estudo publicado na revista científica The Lancet revelou que a retatrutida pode promover uma redução de até 28,3% do peso corporal em pacientes com diabetes tipo 2. Os resultados reforçam o potencial do medicamento como uma nova alternativa para o tratamento da obesidade e de doenças associadas ao excesso de peso.

Desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, a retatrutida pertence à mesma classe dos chamados medicamentos para perda de peso, como Ozempic e Mounjaro. No entanto, seu diferencial está na atuação simultânea sobre três hormônios relacionados ao controle do apetite, da glicose e do gasto energético, o que lhe confere o status de molécula de “tripla ação”.

O estudo envolveu 930 adultos com diabetes tipo 2, que receberam doses semanais do medicamento ou placebo durante até 80 semanas. Os participantes que utilizaram a dose mais elevada registraram perda média de 28,3% do peso corporal, resultado considerado próximo ao alcançado por procedimentos de cirurgia bariátrica.

Além da redução de peso, mais de 65% dos pacientes deixaram de ser classificados como obesos de acordo com o Índice de Massa Corporal (IMC). A pesquisa também identificou melhora significativa no controle dos níveis de açúcar no sangue, superando os resultados observados no grupo que recebeu placebo.

Os pesquisadores destacaram ainda benefícios em outras condições de saúde. Em pacientes com obesidade, a retatrutida reduziu em 60,6% a gravidade da apneia obstrutiva do sono, doença caracterizada por interrupções repetidas da respiração durante o descanso noturno. Já em pessoas com osteoartrite no joelho, o medicamento promoveu redução de até 73,1% na intensidade da dor.

Os dados foram apresentados durante o congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA), realizado nos Estados Unidos. Apesar dos resultados promissores, a substância ainda não possui aprovação regulatória para comercialização e depende de novas análises de segurança e avaliação das autoridades sanitárias.

Especialistas alertam para o risco da circulação ilegal da retatrutida. Autoridades brasileiras têm registrado apreensões frequentes de produtos que alegam conter a substância, principalmente na fronteira com o Paraguai. Segundo órgãos de fiscalização, qualquer produto vendido atualmente como retatrutida é considerado irregular e pode representar riscos à saúde dos consumidores.

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