Idoso de 69 anos é resgatado de trabalho análogo à escravidão em Ponta Grossa

Vítima trabalhava 24 horas por dia, dormia em caminhão e vivia em condições degradantes, segundo PF e MTE

Carlos Moraes
Foto: Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)

Um idoso de 69 anos foi resgatado em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, de uma situação análoga à escravidão. A ação foi realizada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em conjunto com a Polícia Federal (PF), após flagrante em uma empresa de venda e locação de carros e máquinas.

Segundo os órgãos, o homem era obrigado a trabalhar como vigilante por 24 horas por dia, sem contrato de trabalho ou carteira assinada, e vivia em um “cenário extremo de degradação humana”. Ele recebia cerca de R$ 400 por semana e estava na empresa desde junho de 2025.

De acordo com os auditores-fiscais do trabalho, o idoso dormia na cabine de um caminhão dentro da própria empresa, em condições precárias de higiene e com acesso extremamente limitado ao local de descanso. Ele não tinha água encanada disponível e precisava sair para buscar alimentos em um mercado próximo, já que permanecia constantemente responsável pela vigilância do local.

As autoridades destacaram que, embora não tenham sido encontrados indícios de restrição física de liberdade ou violência direta, havia um contexto de intensa vulnerabilidade social e exploração laboral incompatível com a dignidade humana. A rotina incluía jornada exaustiva sem descanso semanal remunerado, ausência de alimentação adequada, falta de água potável e condições mínimas de higiene.

Entre os detalhes apontados pela fiscalização estão o fato de que o trabalhador dormia na cabine de um caminhão que estava à venda, em ambiente sujo e com cobertores finos, mesmo diante das baixas temperaturas da região.

O acesso era difícil devido à estrutura elevada do veículo, e o idoso apresentava limitações físicas e comorbidades. Para ter acesso à água, ele precisava caminhar cerca de 100 metros até uma empresa vizinha, carregando galões manualmente. Em algumas ocasiões, tomava banho no local vizinho por solidariedade.

A Polícia Federal classificou o ambiente como insalubre e incompatível com qualquer condição digna de trabalho e sobrevivência, afirmando que o trabalhador era submetido a sinais claros de exploração contínua. A cozinha disponível era precária, com apenas um fogão de duas bocas, e não havia estrutura adequada para organização de pertences ou descanso.

Após o resgate, o idoso foi encaminhado a um abrigo e recebeu atendimento médico, medicamentos e assistência social. A rede de assistência foi acionada para acompanhamento imediato.

A empresa e seus responsáveis serão investigados e podem responder pelo crime de redução à condição análoga à de escravo, previsto no Código Penal, com pena que pode chegar a oito anos de prisão, além de multa e sanções trabalhistas.

O Ministério do Trabalho informou que dará sequência aos procedimentos administrativos para garantir o pagamento das verbas trabalhistas devidas ao idoso. A Polícia Federal seguirá com as investigações para apurar outras possíveis irregularidades e identificar todos os envolvidos no caso.

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