Operação da PCPR mira grupo que movimentou R$ 4 milhões com golpes de sextorsão

Organização criminosa transnacional é investigada por extorquir vítimas com ameaças de divulgação de imagens íntimas

Carlos Moraes
Foto: PCPR

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou nesta quinta-feira (21) uma operação nacional contra uma organização criminosa transnacional especializada em sextorsão, crime de extorsão mediante ameaça de divulgação de imagens íntimas. O grupo teve como alvo uma vítima do município de Palmas, no Sudoeste do Paraná.

Ao todo, estão sendo cumpridos 10 mandados judiciais, sendo cinco de prisão e cinco de busca domiciliar nos estados do Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Segundo a PCPR, os investigados são suspeitos de crimes como extorsão majorada, organização criminosa transnacional e lavagem de dinheiro por meio de criptoativos. As penas podem ultrapassar 20 anos de prisão.

As investigações apontam que o golpe começou em 2024, quando a vítima foi abordada pelas redes sociais por um perfil falso identificado como “David Green”. O suspeito se apresentava como médico oncologista em missão de paz da OTAN na Síria e utilizava fotos de terceiros já relacionadas a golpes internacionais.

Após conquistar a confiança da vítima e obter fotos e vídeos íntimos, os criminosos passaram a exigir dinheiro sob diferentes pretextos, incluindo supostas despesas com viagens, multas e transporte de ouro. Quando a vítima demonstrou desconfiança, o grupo passou a ameaçar divulgar o conteúdo íntimo caso novos pagamentos não fossem realizados.

De acordo com a investigação, a vítima teve prejuízo superior a R$ 60 mil.

A PCPR identificou uma estrutura organizada do grupo criminoso. O núcleo internacional, ligado a números telefônicos da Nigéria, seria responsável pela abordagem e manipulação emocional das vítimas. Já integrantes no Brasil atuariam na lavagem do dinheiro por meio de contas bancárias e conversão dos valores em criptoativos.

As apurações apontam que, em apenas dois meses, o esquema movimentou quase R$ 4 milhões. A polícia estima que ao menos 20 vítimas tenham sido alvo do mesmo golpe em diferentes estados do país.

A operação conta com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e das polícias civis de outros estados.

Compartilhe este Artigo