Um erro na liberação de três corpos pelo Instituto Médico Legal (IML) de Florianópolis fez com que duas famílias velassem e sepultassem pessoas erradas em Santa Catarina. O caso, ocorrido em abril, veio à tona nesta sexta-feira (8), após o Ministério Público de Santa Catarina informar que irá instaurar procedimento para investigar a situação.
Uma das vítimas era Juliano Henrique Guadagnin, de 24 anos, morto em um acidente de moto no dia 9 de abril. Outros dois homens, Patrick Nunes Ferreira e Denner Dario Colodina, foram assassinados na mesma data. Os três corpos foram recolhidos juntos e encaminhados ao IML.
Segundo as informações apuradas, os corpos acabaram sendo liberados de forma equivocada para as funerárias. Patrick foi sepultado indevidamente no lugar de Denner, enquanto Denner foi enterrado como se fosse Juliano. O corpo de Juliano permaneceu retido no IML sem que a família soubesse do erro.
A situação só foi descoberta após um familiar procurar o Instituto Médico Legal para realizar a identificação de uma das vítimas. Os corpos precisaram ser exumados e, depois de nova passagem pelo IML, foram sepultados corretamente no dia 13 de abril.
A mãe de Juliano, Mônica Raquel Guadagnin, relatou o sofrimento vivido pela família. “Eu velei uma pessoa achando que fosse meu filho. Eu carreguei o caixão de uma outra pessoa achando que era meu filho”, desabafou.
Segundo familiares, os velórios ocorreram com caixões fechados, sem contato direto com os corpos, o que dificultou a identificação do equívoco.
Documentos do plantão do IML apontam que a troca pode ter ocorrido durante o processo de remoção dos corpos por agentes funerários. Já representantes das funerárias afirmam que receberam os documentos corretos, mas com os corpos trocados.
Uma agente funerária envolvida no caso afirmou ainda que teria sido sugerido que os corpos fossem mantidos trocados para evitar que o erro fosse descoberto, acusação negada pela Polícia Científica de Santa Catarina.
Em nota oficial, a Polícia Científica reconheceu a falha operacional, pediu desculpas às famílias e informou que abriu investigação interna por meio da Corregedoria. O órgão afirmou também que revisará os protocolos de identificação e liberação de corpos para evitar novos casos semelhantes.
O Ministério Público e a Polícia Civil devem apurar as responsabilidades pelo episódio.
