Descoberta de “rochas de plástico” no mar serve de alerta para o Litoral do Paraná

Fenômeno identificado em ilha no Atlântico mostra como resíduos podem se integrar ao ambiente natural e reforça preocupação com a poluição marinha

Carlos Moraes
Foto: Fernanda Avelar Santos/Divulgação

A descoberta de formações conhecidas como “rochas de plástico” em ninhos de tartarugas na Ilha da Trindade, no Atlântico Sul, acendeu um alerta sobre o impacto do descarte de resíduos nos oceanos. A ilha fica a mais de mil quilômetros do litoral do Espírito Santo e é considerada uma das áreas mais isoladas do território brasileiro, com presença humana restrita principalmente a pesquisadores e militares da Marinha do Brasil.

O fenômeno foi descrito em estudo publicado na revista científica Marine Pollution Bulletin. As formações surgem quando fragmentos de resíduos derretidos se misturam com areia, pedras vulcânicas e materiais naturais da praia, criando estruturas semelhantes a rochas.

A pesquisa foi conduzida pela geóloga Fernanda Avelar Santos, ligada à Universidade Estadual Paulista. As análises indicaram a presença principalmente de polietileno e polipropileno, materiais amplamente utilizados em embalagens, cordas e diversos produtos do cotidiano.

Com o tempo, essas estruturas sofrem desgaste pela ação das ondas, do vento e das marés, quebrando-se em partículas menores que acabam se espalhando pelo ambiente. Parte desses fragmentos foi encontrada até mesmo dentro de ninhos de tartarugas, soterrada a alguns centímetros de profundidade.

Mesmo em um local remoto, distante de centros urbanos, grandes quantidades de resíduos chegam à ilha carregadas pelas correntes oceânicas e por rotas marítimas.

O caso reforça um alerta que também se aplica ao Litoral do Paraná, onde ações de limpeza frequentemente retiram grandes volumes de lixo das áreas costeiras. O acúmulo desse material no mar pode gerar impactos duradouros na fauna, na flora e na própria paisagem natural ao longo do tempo, além de causar danos, muitas vezes irreversíveis, ao meio ambiente e, consequentemente, aos seres humanos.

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