1º comandante do ferry boat recorda início da travessia e fala do sonho da Ponte de Guaratuba

Aos 91 anos, Seu Janjão relembra os desafios das primeiras embarcações na Baía de Guaratuba e acompanha a reta final da obra que vai transformar a mobilidade no Litoral

Redação Litorânea
Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

O início da travessia por ferry boat na Baía de Guaratuba se confunde com a própria história de desenvolvimento da cidade. Foi ali, ainda no começo da década de 1960, que João James de Oliveira Alves, o Seu Janjão, assumiu o comando da primeira embarcação responsável por ligar as duas margens e garantir o deslocamento de moradores, trabalhadores e visitantes.

Natural de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, Janjão chegou ao Litoral do Paraná a convite de amigos e aceitou o desafio sem imaginar que aquela decisão marcaria sua vida para sempre. Em 1962, tornou-se o primeiro comandante do ferry boat de Guaratuba, função que exerceu por mais de 15 anos, período em que acompanhou de perto o crescimento da cidade e a importância estratégica da travessia.

As condições da época eram bem diferentes das atuais. As embarcações eram de madeira, tinham capacidade reduzida e operavam sem os recursos tecnológicos disponíveis hoje. Mesmo assim, a travessia seguia de forma segura, guiada pela experiência, pelo conhecimento das marés e pela responsabilidade de quem sabia que aquele serviço era essencial para a região.

Ao longo dos anos, o ferry boat foi muito além do transporte de veículos. Serviu como elo para o comércio, para o turismo e para situações de emergência. Em episódios críticos, como o desmoronamento de parte da cidade em 1968, a embarcação foi fundamental no socorro à população, transportando equipes, moradores e mantimentos durante a madrugada.

Janjão também participou ativamente da formação da comunidade local, especialmente na região de Caieiras, onde ajudou a estruturar acessos, colaborou com a educação e formou novos comandantes da travessia. Para ele, o ferry boat foi instrumento de integração e progresso em um período em que Guaratuba dependia exclusivamente dessa ligação.

Hoje, aos 91 anos, ele acompanha com atenção a construção da Ponte de Guaratuba, obra que considera necessária diante do crescimento da cidade e do aumento no fluxo de veículos. Embora reconheça o valor histórico da travessia por balsa, entende que a ponte representa um avanço natural para garantir mais agilidade, segurança e integração ao Litoral do Paraná.

A trajetória de Seu Janjão se mistura com a da própria Guaratuba. Testemunha do passado e observador do presente, ele vê na ponte a continuidade de um caminho iniciado décadas atrás sobre as águas da baía, quando o ferry boat era a única ligação possível.

Compartilhe este Artigo