Com a chegada do período chuvoso, que no Paraná vai de novembro a março, autoridades de saúde reforçam o alerta para a leptospirose, uma zoonose bacteriana grave e muitas vezes negligenciada. A doença está diretamente associada a áreas urbanas com risco de alagamentos e enchentes, cenário que favorece o contato da população com água e lama contaminadas pela urina de animais infectados, principalmente roedores.
De janeiro a novembro de 2025, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) registrou 1.557 notificações de leptospirose no Paraná, com 247 casos confirmados e 18 mortes. A Região Metropolitana de Curitiba concentra o maior número de registros, seguida por regionais do Litoral, Campos Gerais e Norte do Estado. Segundo o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, a doença pode ser fatal e costuma apresentar sintomas iniciais semelhantes aos de uma gripe, o que dificulta o diagnóstico precoce.
A contaminação ocorre principalmente por meio da pele lesionada ou das mucosas, quando há contato com água ou lama contaminadas. Os sintomas geralmente surgem entre 7 e 14 dias após a exposição e incluem febre alta repentina, dor de cabeça intensa, dores musculares — especialmente nas panturrilhas —, náuseas e falta de apetite. Em casos mais graves, a doença pode evoluir para insuficiência renal, icterícia e hemorragias.
A principal forma de prevenção é evitar contato com áreas alagadas. Quando isso não for possível, recomenda-se o uso de botas e luvas de borracha, além de higiene rigorosa após a exposição. O controle de roedores e o descarte correto do lixo também são medidas fundamentais. Em caso de sintomas, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente, já que o tratamento com antibióticos é eficaz quando iniciado precocemente.
