Crise histórica ameaça produção de ostras em Santa Catarina

Com altas temperaturas no mar, estado pode perder até 90% da safra, afetando produtores, empregos e consumidores

Carlos Moraes
Foto: Cidasc/Ascom/Divulgação

Responsável por mais de 91% da produção nacional de ostras, Santa Catarina enfrenta uma crise sem precedentes. Devido às mudanças climáticas, especialmente ao aumento da temperatura da água do mar, o estado pode perder até 90% da safra de moluscos nesta temporada.

O impacto já é devastador para produtores. O maricultor Paulo Antônio Constantino, que trabalha há 30 anos no setor, afirma que vive o pior momento da carreira. Com prejuízo estimado em R$ 1,5 milhão, ele praticamente ficou sem produto para vender.

“Era para ter em estoque hoje aproximadamente de 20 mil a 30 mil dúzias de ostra. Hoje eu não tenho 300 dúzias”, relata.

Para minimizar as perdas, produtores passaram a comercializar ostras fora do padrão ideal, conhecidas como “refugo”. Mesmo assim, a medida não tem sido suficiente para evitar demissões e redução das atividades. A fazenda de Paulo, por exemplo, passará a operar em meio período apenas para manutenção.

A situação se repete em outras regiões produtoras, como o sul da Ilha de Santa Catarina. Maricultores relatam descarte em massa ainda durante o manejo e redução no número de funcionários diante da queda na produção.

A crise ocorre justamente em um período de alta demanda, como a Semana Santa, o que agrava ainda mais os efeitos no mercado. Com menor oferta, consumidores já começam a sentir o impacto.

Especialistas apontam que o aumento anormal da temperatura do mar nos meses de janeiro e fevereiro é o principal fator por trás da mortalidade das ostras. Além disso, mudanças ambientais também contribuem para o cenário crítico.

Diante da crise, o setor busca alternativas, como a venda de ostras processadas, em vez do produto in natura. A proposta é ampliar o mercado e reduzir perdas.

Enquanto isso, produtores cobram medidas mais eficazes do poder público. Apesar da oferta de crédito com juros zero anunciada pelo governo estadual, o limite de R$ 50 mil por produtor é considerado insuficiente para cobrir os prejuízos acumulados.

Sem soluções rápidas e estruturais, o futuro da produção de ostras em Santa Catarina segue incerto, com impactos que vão do campo até a mesa do consumidor.

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