Um casal de Toledo, no oeste do Paraná, embarcou em uma verdadeira aventura ao viajar 3 mil quilômetros de Corcel 1977, sem ar-condicionado, para entregar o carro a um comprador no Amazonas. Hilário Zaltron e sua esposa Janete Niedermeyer percorreram o Brasil de ponta a ponta, enfrentando longas horas de estrada, calor intenso e o desafio de um veículo com quase 50 anos de história. A viagem, que durou nove dias, levou o casal de Toledo até Humaitá, onde o carro aguardava uma balsa para seguir até Manaus.
O Corcel, que foi vendido por R$ 20 mil ao irmão de Hilário, já possuía mais de 100 mil quilômetros rodados. Como não conseguiram encontrar um serviço de frete que transportasse o carro, eles decidiram fazer a viagem pessoalmente. “Ele pediu se a gente não levaria o carro pessoalmente. Aí eu topei”, disse ele.
“Tirei 15 dias de férias e fomos. Foi uma aventura. Tem que preparar bem o psicológico para conseguir fazer”, conta Hilário, lembrando que a falta de ar-condicionado foi o maior desafio enfrentado pela esposa durante a viagem.
Mesmo com a idade avançada, o Corcel resistiu bravamente à jornada, percorrendo cerca de 600 quilômetros por dia. O casal parou em cidades como Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Vilhena e Ariquemes (RO), aproveitando para fazer visitas familiares. “Levamos o carro sem nenhuma complicação, foi só abastecer mesmo”.
“O carro tem 48 anos, mas fez uma viagem tranquila e maravilhosa”, afirmou Janete, destacando que, a cada cidade em que passavam, o Corcel chamava a atenção. “Poderíamos ter vendido o carro mais de dez vezes. As pessoas admiravam e parabenizavam pela coragem”, brinca ela.
Em Humaitá, o casal se encontrou com Vilson Zaltron, irmão de Hilário, que havia comprado o carro. O veículo agora aguarda a travessia por balsa até Manaus, uma viagem que pode durar de seis a sete dias. “O carro precisa ir de balsa porque, se não, é muita estrada de chão e é ruim”, explicou Janete.
Após a entrega, Hilário e Janete retornaram ao Paraná de avião, finalizando uma jornada cheia de histórias e lembranças de uma viagem que, para eles, foi mais do que apenas um simples transporte de veículo, mas uma verdadeira experiência de vida.
