A bióloga marinha e pesquisadora paranaense Camila Domit, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Associação MarBrasil, foi selecionada como uma das finalistas do Whitley Awards 2026, conhecido como o “Oscar da conservação”.
Camila é a única representante do Brasil entre os 12 finalistas deste ano. Ela e sua equipe foram reconhecidas pelo trabalho de proteção ao boto-cinza e à toninha, duas espécies de golfinhos ameaçadas de extinção, realizado em parceria com comunidades tradicionais do litoral do Paraná.
“Esse prêmio é algo muito importante para a gente, porque nos traz uma visibilidade internacional e a possibilidade de ter recursos para o projeto”, destaca a pesquisadora.

Atuação com a fauna marinha
Formada em Biologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Domit é mestre e doutoranda em Zoologia pela UFPR. Ela coordena o Centro de Estudos do Mar e o Laboratório de Ecologia e Conservação de Mamíferos e Répteis Marinhos (LEC).
No ano passado, o LEC realizou o resgate de dezenas de pinguins-de-Magalhães encalhados no litoral do estado e a reabilitação do primeiro filhote de elefante-marinho monitorado no Brasil. As equipes do LEC e da Associação MarBrasil atuam de forma conjunta na conservação e monitoramento da fauna marinha paranaense.
Conservação, turismo e comunidades
Os golfinhos monitorados pelo projeto são encontrados na região da Ilha das Peças e da Ilha do Mel, áreas que vêm atraindo turistas interessados na observação da natureza.
“Essas espécies vêm sendo procuradas para o desenvolvimento do turismo de observação da natureza”, explica Domit. Segundo a pesquisadora, a conservação só é eficaz com a participação ativa das comunidades tradicionais. “Se esse turismo não for feito com muito envolvimento das comunidades do entorno, a gente tem uma perda tanto em termos de conservação das espécies como também uma perda social”, afirma.
O projeto busca integrar ciência, conservação e inclusão social. “Nosso objetivo é achar boas soluções olhando para essas comunidades, dando voz às mulheres, aos jovens e também aos golfinhos, aos botos, às toninhas, que dependem do nosso esforço coordenado e integrado para a sua conservação”, conclui.

Whitley Awards 2026
O Whitley Awards é promovido pelo Whitley Fund for Nature, instituição fundada em 1993 dedicada à conservação da natureza. Até hoje, o prêmio destinou o equivalente a R$ 185 milhões para 220 conservacionistas de 80 países do Sul Global.
Anualmente, até seis líderes recebem financiamento e qualificação, com cada um recebendo mais de R$ 350 mil para dar continuidade a seus projetos de conservação. Nesta edição de 2026, foram registradas 270 candidaturas vindas de África, Ásia e América Latina. O resultado será divulgado em 29 de abril.
No ano passado, uma das vencedoras foi a brasileira Yara Barros, do Projeto Onças do Iguaçu, e em 2024 a pesquisadora Fernanda Abra, que atua na proteção da fauna em rodovias.
Confira abaixo todas as indicações ao Whitley Awards 2026:
- Dr. Supraja Dharini, da TREE Foundation, na Índia
- Camila Domit, da Associação MarBrasil, no Brasil
- Yudi Irawan, da Yayasan Konservasi Alam dan Pelestarian Spesies Terancam Punah (KARST), na Indonésia
- Akovognon Jérôme, da ACT FOR SUSTAINABLE ACTIONS (Act4SA), em Benin
- Robi Kasianus, da Gunung Palung Orangutan Conservation Program, na Indonésia
- Marina Kameni, da Herp-Cameroon, em Camarões
- Moreangels Mbizah, da Wildlife Conservation Action, no Zimbábue
- Julio Sánchez, da Blue World Foundation (BWF), na Guatemala
- Paola Sangolquí, da Fundación de Conservación Jocotoco, no Equador
- Issah Seidu, da AquaLife Conservancy, em Gana
- Parveen Shaikh, da Bombay Natural History Society, na Índia
- Barkha Subba, da Federation of Societies for Environmental Protection (FOSEP), na Índia
