Em Guaratuba, a presença cada vez maior de pessoas vivendo nas ruas tem provocado apreensão entre comerciantes e moradores. As queixas incluem abordagens insistentes a motoristas, especialmente mulheres, além de episódios envolvendo pessoas alcoolizadas ou sob efeito de drogas. Pequenos furtos e tumultos também vêm sendo relatados na região central, elevando a sensação de vulnerabilidade.
O problema, porém, está longe de ser exclusivo da cidade. A pauta ganhou destaque nacional e no Sul do país depois do Fantástico expor a deterioração das políticas para essa população e a disputa política em torno do tema.
Em várias cidades, vídeos de ações públicas substituíram a construção de políticas sérias, transformando uma questão complexa em material de propaganda. Em Guaratuba, moradores afirmam que a rotina mudou. Comerciantes relatam que clientes evitam estacionar em determinados pontos e mulheres preferem não circular sozinhas à noite.
Apesar da pressão crescente, ainda faltam ações integradas que combinem segurança, assistência social e acompanhamento de saúde, medidas consideradas fundamentais por especialistas.
A crítica central recai sobre a ausência de estratégias contínuas. Abordagens pontuais, remoções improvisadas ou operações que geram repercussão nas redes sociais não enfrentam a raiz do problema e, segundo profissionais da área, criam apenas alívio momentâneo.
Sem estrutura de acolhimento adequada, atendimento especializado e articulação entre órgãos públicos, a cidade segue presa ao ciclo de queixas, improviso e insegurança.
