Procura tardia por atendimento médico aumenta mortalidade masculina no Paraná

Apenas 28% dos atendimentos na Atenção Primária à Saúde são destinados a homens; resistência em buscar prevenção reflete em internações e mortes evitáveis

Redação Litorânea
Imagem ilustrativa via Freepik

No Paraná, os homens continuam sendo maioria nas estatísticas de mortalidade em quase todas as causas de óbito e faixas etárias até os 80 anos, segundo dados do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Em 2025, de um total de 15.656 óbitos entre pessoas de 20 a 59 anos, 66% foram do sexo masculino.

Entre as principais causas, destacam-se as doenças dos aparelhos circulatório e digestivo, doenças infecciosas e parasitárias e, principalmente, as causas externas de morbidade e mortalidade — como homicídios, acidentes, quedas e afogamentos. Apenas nas neoplasias (cânceres) há predominância feminina.

De acordo com a Sesa, um dos fatores que contribuem para esse cenário é a procura tardia por atendimento médico. Muitos homens ainda buscam os serviços de saúde apenas em situações extremas, quando o problema já está avançado.

Entre janeiro e setembro de 2025, apenas 28% dos atendimentos individuais na faixa etária de 20 a 59 anos na Atenção Primária à Saúde do Paraná foram destinados a homens. A baixa procura reflete na subutilização dos serviços básicos e nas estatísticas de internações por doenças evitáveis. No mesmo período, os homens representaram 72,7% das internações por doenças imunopreveníveis, 53,3% por pneumonias bacterianas, 55,8% por angina, 54,3% por insuficiência cardíaca e 60,1% por infecções de pele e tecido subcutâneo.

Essa resistência em buscar prevenção é explicada não apenas por fatores biológicos, mas também por questões culturais e sociais que associam masculinidade à invulnerabilidade, um dos temas centrais do Novembro Azul.

Estudos do Ministério da Saúde apontam que os homens têm maior risco de morte por doenças crônicas não transmissíveis, especialmente cardiovasculares, respiratórias, câncer e diabetes, com taxas entre 40% e 50% superiores às das mulheres.

No Paraná, o câncer bucal é 3,6 vezes mais comum entre homens. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Estado registra, em média, 920 casos por ano, sendo 720 em homens e 200 em mulheres.

A Sesa mantém ações contínuas de promoção da saúde masculina, capacitando profissionais e reforçando a importância do cuidado integral. São recomendadas medidas preventivas como monitoramento da pressão arterial, alimentação saudável, prática regular de atividade física, abandono do tabagismo, redução do consumo de álcool e participação em campanhas de vacinação.

Os homens também têm à disposição exames periódicos e testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), com resultados em até 30 minutos, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). Além disso, o Estado conta com Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), unidades especializadas, programas de reabilitação e iniciativas voltadas ao bem-estar físico e mental.

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