À medida que a temporada de verão se aproxima, o número de pessoas em situação de rua tende a crescer nas cidades litorâneas, e em Guaratuba não é diferente. O movimento sazonal dessa população aumenta principalmente a partir de novembro quando a cidade recebe mais visitantes e há maior circulação econômica.
Segundo o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com População em Situação de Rua (OBPopRua), vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Paraná possui oficialmente 17.091 pessoas vivendo nas ruas. No entanto, o número real pode ser maior, já que muitos nessa condição não têm documentação e, portanto, não aparecem nas estatísticas do CadÚnico, principal sistema nacional de assistência social.
Em Guaratuba, muitas pessoas nessa situação apresentam histórico de vulnerabilidade, uso de drogas, alcoolismo ou pendências judiciais. Esse cenário tem se repetido em diversas cidades do litoral, que buscam enfrentar os desafios causados pelo aumento sazonal dessa população, tentando reduzir os impactos para moradores e turistas.
Diante do crescimento dos casos, algumas cidades do país têm adotado a chamada internação involuntária, medida polêmica que permite o encaminhamento de dependentes químicos para tratamento mesmo sem consentimento. Especialistas defendem que a ação só deve ser usada em situações extremas e acompanhada de políticas públicas de moradia, saúde mental e reinserção social.
A situação em Guaratuba reflete uma realidade nacional. No Brasil, a população em situação de rua chegou a 358 mil pessoas em outubro, conforme o levantamento da UFMG. O Sudeste concentra a maior parte, mas o avanço nas regiões Sul e Nordeste acende um alerta para o agravamento da crise social.
