O Instituto Água e Terra (IAT) realizou nesta quarta-feira (3) uma importante ação de restauração ambiental com a dispersão aérea de 700 mil sementes de palmito-juçara em áreas de Mata Atlântica no Litoral do Paraná. A iniciativa busca ampliar a presença da espécie, considerada ameaçada de extinção devido à exploração predatória, além de conscientizar a população sobre a importância da conservação ambiental.
A operação foi coordenada pelo Centro de Operações Aéreas do IAT e contemplou quatro Unidades de Conservação de Proteção Integral: o Parque Estadual Rio da Onça, em Matinhos; a Estação Ecológica de Guaraguaçu, em Paranaguá; o Parque Estadual do Boguaçu, em Guaratuba; e o Parque Estadual Pico do Marumbi, localizado entre os municípios de Morretes, Piraquara e Quatro Barras.
Segundo o diretor-presidente do IAT, José Volnei Bisognin, os locais foram selecionados estrategicamente por apresentarem registros de crimes ambientais, incluindo a extração ilegal do palmito-juçara. De acordo com ele, a ação será monitorada para avaliar a taxa de germinação e o sucesso da recuperação das áreas.
As sementes utilizadas na iniciativa foram obtidas por meio de coletas realizadas pelo próprio instituto e de doações de entidades parceiras, entre elas o Instituto Mater Natura, o Instituto Juçara de Agroecologia e a Associação de Produtores Orgânicos de Quedas do Iguaçu Produzindo Vida (APOQI), além do apoio do Rotary Club.
Além do objetivo de recuperação ambiental, a ação tem caráter educativo. O IAT pretende estimular a população a participar da preservação da espécie e do plantio de árvores nativas. Atualmente, o instituto mantém 19 viveiros florestais distribuídos pelo Paraná para fornecer mudas à comunidade.
Nativa da Mata Atlântica, a palmeira-juçara desempenha papel fundamental no equilíbrio ecológico, servindo de alimento para diversas espécies de aves e mamíferos. Seus frutos são consumidos por animais como tucanos, jacutingas, jacus, sabiás e arapongas, que ajudam na dispersão natural das sementes.
Com crescimento lento e ciclo reprodutivo que pode levar cerca de seis anos, a espécie enfrenta dificuldades para se recuperar naturalmente após décadas de exploração ilegal. Por isso, a dispersão aérea de sementes é considerada uma alternativa eficiente para acelerar a regeneração da floresta e garantir a preservação do palmito-juçara para as futuras gerações.
