O governo de Santa Catarina decretou, na segunda-feira (18), estado de alerta climático por 180 dias em razão da possibilidade de formação do fenômeno El Niño nos próximos meses. A medida tem caráter preventivo e busca fortalecer ações de monitoramento, prevenção e resposta rápida diante de possíveis eventos climáticos extremos.
O decreto foi assinado pelo governador Jorginho Mello e prevê investimentos em monitoramento meteorológico, capacitação de equipes e modernização de barragens. Segundo o governo estadual, a medida não representa situação de emergência nem estado de calamidade pública.
De acordo com a administração estadual, o objetivo é permitir a mobilização antecipada dos órgãos públicos para reduzir impactos provocados principalmente por chuvas intensas, enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra.
O decreto também estabelece critérios para que municípios possam decretar situação de emergência. Entre eles estão precipitação superior a 80 milímetros em 24 horas, desabrigamento de famílias, interrupção de serviços essenciais, deslizamentos e emissão de alertas laranja ou vermelho pela Defesa Civil estadual.
Além disso, a medida autoriza a mobilização de servidores estaduais para apoio às ações da Defesa Civil e libera recursos do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil (Fundec) para custear medidas preventivas e operacionais. O decreto terá validade até novembro, podendo ser prorrogado.
Santa Catarina já enfrentou enchentes históricas associadas ao El Niño, como as registradas em 1983 e 2023.
Estudos recentes de instituições nacionais e da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) apontam probabilidade superior a 80% de formação do El Niño já a partir de julho deste ano.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e costuma provocar aumento das chuvas na Região Sul do Brasil. A previsão atual indica que o evento climático pode atingir maior intensidade entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027.
Na última semana, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) divulgou análises apontando risco de chuvas acima da média no Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, além de temperaturas mais elevadas em determinados períodos.
Especialistas também alertam para possíveis impactos na produção agrícola, principalmente em culturas como arroz, feijão e milho, devido à instabilidade climática prevista para os próximos meses.
