Couro de peixe de Pontal do Paraná conquista Indicação Geográfica e fortalece economia caiçara

Produto artesanal sustentável recebe selo do INPI e coloca o Paraná na liderança nacional com 26 IGs reconhecidas

Carlos Moraes
Foto: Inove-Sebrae/PR

O couro de peixe produzido em Pontal do Paraná foi reconhecido nesta terça-feira (12) como Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência, concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O selo certifica a tradição e a reputação do município no aproveitamento sustentável de peles de peixes para a produção de couro, atividade que une geração de renda, inovação e valorização da cultura caiçara.

Com a certificação, o Paraná chega a 26 Indicações Geográficas reconhecidas, consolidando-se como líder isolado no ranking nacional. Em Pontal do Paraná, a atividade envolve 16 produtores diretos e beneficia cerca de 30 famílias de forma indireta, integrando pesca artesanal e economia criativa.

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O processo de reconhecimento teve início formal em 2023, com a estruturação da associação local, capacitações e a elaboração do caderno de especificações técnicas. A mobilização envolveu instituições como a Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná (ACPPP), a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), a Universidade Estadual do Paraná (Unespar), o Sebrae Paraná, a Prefeitura Municipal e o Provopar.

O desenvolvimento do produto começou ainda em 2008, com pesquisas da Unespar dentro do programa Universidade Sem Fronteiras. O trabalho científico foi essencial para aprimorar o processo de curtimento, que dispensa o uso de cromo, substância tóxica comum no couro bovino, e garante um material mais sustentável e seguro.

O couro de peixe se destaca ainda pela resistência, que pode ser até três vezes maior que o couro bovino, segundo estudos da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e da Universidade de São Paulo (USP). O processo produtivo dura cerca de dois dias e meio e inclui etapas como limpeza, curtimento, tingimento com pigmentos naturais e secagem.

As peles utilizadas vêm de diversas espécies, como tainha, robalo, corvina e tilápia, resultando em texturas variadas. O produto final é aplicado na fabricação de bolsas, acessórios e artesanato, com parte da produção já exportada para países como Alemanha, França e Portugal.

Com o novo selo, a expectativa é ampliar a visibilidade do produto, fortalecer a cadeia produtiva local e incentivar novos produtores, reforçando o papel do litoral paranaense como referência em inovação sustentável e valorização cultural.

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