Curativo Blood-Aid da UEL detecta tipo sanguíneo em minutos

Tecnologia inovadora permite identificar sistemas ABO e fator Rh no local, sem exames laboratoriais, oferecendo agilidade em emergências médicas

Carlos Moraes
Foto: Fundação Araucária

Pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) desenvolveram o curativo Blood-Aid, capaz de identificar o tipo sanguíneo em até dois minutos diretamente no local, sem a necessidade de exames laboratoriais. A inovação promete acelerar decisões em atendimentos de emergência, como acidentes com hemorragias graves, e ampliar a segurança de transfusões.

O projeto foi finalista do Programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime), iniciativa do Governo do Estado que apoia pesquisas universitárias com potencial de mercado. As inscrições para a edição 2026 seguem até 22 de abril.

O curativo utiliza anticorpos impregnados em material semelhante a um curativo comum, permitindo detectar os sistemas ABO (A, B e O) e o fator Rh, positivo ou negativo. A leitura é feita diretamente no material, por meio da formação de letras e sinais, tornando a interpretação simples até para profissionais não especializados.

“Atualmente avançamos para a fase de validação, com testes rigorosos para assegurar a confiabilidade da detecção. Em seguida, buscaremos parceria com a indústria para produção em larga escala e acesso ampliado à população”, explica o coordenador do projeto, professor do Departamento de Microbiologia da UEL, Gerson Nakazato.

Segundo a pesquisadora Renata Kobayashi, coordenadora do projeto, cerca de 40% da população brasileira desconhece seu tipo sanguíneo, informação essencial em situações críticas. O curativo Blood-Aid pode ser usado em regiões remotas ou de difícil acesso, além de ambulâncias e atendimentos de emergência, permitindo decisões rápidas e seguras.

A tecnologia combina hematologia, biotecnologia e nanotecnologia, utilizando nanopartículas de ouro associadas aos anticorpos para intensificar a visualização dos resultados. A equipe também desenvolveu um kit complementar, incluindo sistema de coleta e aplicação do curativo.

O Prime oferece suporte financeiro e formação empreendedora, incentivando a transformação de pesquisas em produtos e serviços inovadores. Na edição 2026, 150 participantes terão acesso à fase inicial do curso, e até 10 finalistas receberão aportes de R$ 200 mil cada.

Desde 2021, o programa já envolveu 369 pesquisadores, consolidando-se como política pública estratégica de inovação no Paraná, conectando ciência acadêmica às demandas do mercado e da sociedade.

Compartilhe este Artigo