Parque entre Guaratuba e Garuva gera polêmica e levanta debate sobre desapropriações

Audiência pública nesta terça-feira (8) vai discutir criação de área de conservação que também envolve Tijucas do Sul, Joinville e Campo Alegre

Carlos Moraes
Foto: Cachoeira do Quiriri em Garuva - Divulgação Portal do Turismo

A proposta de criação do Parque Nacional Araçatuba–Quiriri tem intensificado o debate na região entre Guaratuba e Garuva, principalmente por envolver áreas habitadas e possíveis impactos diretos sobre moradores e produtores rurais.

A audiência pública marcada para esta terça-feira (8), às 19h, no Ginásio Evandro Nagel, em Garuva, contará com a presença do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e deve reunir comunidade, autoridades e representantes políticos.

O projeto prevê uma unidade de conservação com aproximadamente 32 mil hectares e 23 pontos de atrativos turísticos, abrangendo cinco cidades: Garuva, com 18,4 mil hectares (37,2% do território municipal), Joinville, com 2.625,7 hectares (2,3%), Campo Alegre, com 1.012,4 hectares (2%), Guaratuba, com 6.922 hectares (5,2%) e Tijucas do Sul, com 3.395,2 hectares (5,1%).

Entre as áreas diretamente impactadas estão comunidades como Cubatão, Ponte Alta e Postinho, além de cachoeiras, trilhas, morros e espaços de camping.

Parlamentares favoráveis destacam que a criação do parque vai proteger nascentes que abastecem cidades da região, preservar ecossistemas de campos de altitude e trechos da Serra do Mar e gerar oportunidades para o turismo sustentável. Eles ressaltam que o processo ainda está em fase de estudos, com consultas públicas previstas antes de qualquer decisão definitiva.

Já os críticos, incluindo a Prefeitura de Joinville, apontam possíveis restrições ao uso da terra, impactos no planejamento urbano e econômico e risco de desapropriação de imóveis, gerando preocupação entre famílias e produtores que vivem há décadas na região. Parlamentares contrários pedem mais transparência, garantias legais e diálogo efetivo com a população local antes da criação da unidade.

A audiência desta terça-feira é considerada um momento decisivo para esclarecer informações, confrontar posicionamentos e dar voz às comunidades diretamente afetadas pelo projeto.

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