Nas águas da Baía de Paranaguá, onde canoas coloridas e redes de pesca compõem a paisagem tradicional, a Ilha do Maciel, em Pontal do Paraná, consolida um novo capítulo de sua história.
Com o apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), o Turismo de Base Comunitária (TBC) surge como ferramenta estratégica para o desenvolvimento sustentável e a garantia territorial da comunidade caiçara.
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O projeto é conduzido pelo extensionista Charles Fernando Marins Peixoto, especialista em Gestão Turística, que atua há mais de uma década no planejamento participativo e na estruturação de ações de desenvolvimento local, promovendo mudanças significativas para os moradores da ilha.
Com mais de dois séculos de ocupação tradicional, a Ilha do Maciel enfrentou conflitos fundiários e pressões da expansão industrial e portuária. Desde 2017, com a criação da Associação Comunitária dos Pescadores da Ilha do Maciel e apoio técnico do IDR-Paraná, os moradores passaram a atuar de forma organizada na defesa de seus direitos e na construção de alternativas econômicas sustentáveis.
Entre os avanços conquistados estão o Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS), garantindo segurança jurídica, e o Cadastro Ambiental Rural (CAR) Comunitário, que assegura reconhecimento ambiental e gestão coletiva do território. A chegada da energia elétrica também contribuiu para a melhoria da qualidade de vida, armazenamento adequado do pescado e estruturação do turismo.
Desde 2016, a Ilha do Maciel participa dos Circuitos Internacionais de Caminhadas na Natureza, promovidos pelo IDR-Paraná, recebendo cerca de 300 visitantes por edição. As 19 famílias envolvidas oferecem alimentação típica e acolhimento, com pratos que expressam a identidade caiçara, como peixe fresco, farinha de mandioca e sucos de frutas nativas.
O planejamento participativo identificou oportunidades de diversificação de renda, incluindo produção de pescado defumado, doces artesanais, artesanato, guiamento em trilhas ecológicas, pesca de recreio e turismo de observação de aves. O modelo prioriza o protagonismo comunitário, a geração de renda local e a conservação ambiental.
A iniciativa também busca garantir a permanência das novas gerações na comunidade. Em 2017, a ilha reunia 43 famílias; em 2023, esse número caiu para 27. A formação de guias, gestão de negócios comunitários e qualificação da infraestrutura paisagística são algumas das ações previstas para fortalecer a sucessão familiar e manter os jovens no território.
Para o IDR-Paraná, o Turismo de Base Comunitária na Ilha do Maciel vai além da economia. “Trata-se de uma estratégia integrada de desenvolvimento territorial, proteção ambiental e valorização da cultura caiçara”, destaca Peixoto.
“A experiência demonstra que o turismo responsável pode funcionar como instrumento de resistência à descaracterização territorial, promovendo desenvolvimento sustentável e preservando o patrimônio cultural do Litoral do Paraná”, finalizou.


