No Dia Internacional da Mulher, histórias de dedicação e liderança feminina ganham ainda mais destaque nos Colégios Cívico-Militares do Paraná. Dentro das escolas, mulheres que construíram longas trajetórias na segurança pública seguem transformando vidas ao orientar estudantes com firmeza, sensibilidade e respeito.
As sargentos Irene de Lourdes Galvão e Mariangela Candeo Correa são exemplos desse trabalho. Integrantes do Corpo de Militares Estaduais Inativos Voluntários (CMEIV), elas atuam como monitoras militares e fazem parte das primeiras turmas do programa. Com décadas de experiência na Polícia Militar do Paraná, agora dedicam seu conhecimento à formação de adolescentes.
Irene trabalha no Colégio Cívico-Militar Senhorinha Sarmento, em Curitiba, e soma 35 anos de serviço na corporação. Aos 64 anos, ela afirma que nunca imaginou que terminaria a carreira trabalhando diretamente com adolescentes, mas encontrou na escola um novo propósito.
“Eu jamais me imaginei trabalhando com adolescentes no fim da carreira. Mas é muito gratificante. Se eu conseguir fazer com que eles pensem alto e busquem um futuro melhor, já valeu a pena”, afirma.
Para ela, o trabalho das monitoras vai além da disciplina. A escuta e o diálogo fazem parte da rotina e ajudam a compreender a realidade de cada estudante. Muitas vezes, segundo Irene, os jovens enfrentam dificuldades familiares ou sociais e encontram na escola um espaço de orientação e apoio.
A mesma percepção é compartilhada por Mariangela, que atua no Colégio Cívico-Militar João Loyola, também na capital. Com 30 anos de carreira na Polícia Militar e 59 anos de idade, ela destaca a importância de oferecer atenção e orientação aos adolescentes.
“Hoje os jovens vivem muitas pressões e preocupações. É importante que tenham alguém para conversar, orientar e até descontrair um pouco dentro do respeito”, explica. Ela reforça que o papel das monitoras complementa o trabalho pedagógico realizado pelos professores, contribuindo para manter um ambiente adequado para o aprendizado.
A presença feminina dentro das escolas também se torna uma referência importante para as alunas. Segundo Mariangela, muitas meninas procuram as monitoras para conversar sobre situações pessoais e questões do universo feminino, justamente por se sentirem mais confortáveis com essa proximidade.
Para Irene, a atuação das mulheres traz uma sensibilidade essencial para o cotidiano escolar. “A gente orienta sempre com diálogo e escuta. Muitas vezes eu me vejo como uma mãezona ali dentro”, diz.
De acordo com o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, a presença feminina fortalece o ambiente escolar e amplia as referências positivas dentro das instituições de ensino. Segundo ele, mulheres em posições de liderança ajudam a construir relações mais equilibradas e contribuem para a formação integral dos estudantes.
Para muitas monitoras militares, trabalhar nos Colégios Cívico-Militares também representa a oportunidade de continuar contribuindo com a sociedade após a aposentadoria. Depois de anos dedicados à carreira, seguir ativa dentro das escolas significa manter vivo o sentimento de missão e compromisso com as novas gerações.
No dia a dia, elas mostram que disciplina também pode ser ensinada com empatia, respeito e cuidado. Em cada orientação, conversa ou gesto de apoio, reforçam o papel transformador das mulheres na educação e na construção de um futuro melhor para os estudantes do Paraná.
