Nas Ondas da Litorânea

Redação Litorânea

MOTORISTAS DE AMBULÂNCIA NA DIETA FORÇADA DA PREFEITURA

Enquanto cruzam estradas salvando vidas, os motoristas de ambulância de Guaratuba seguem firme em outra missão quase impossível: descobrir onde almoçar, jantar ou fazer um simples lanche sem dinheiro no bolso. A ajuda de custo? Só aparece a cada 30 dias. Até lá, a recomendação parece ser jejum intermitente patrocinado pelo poder público.

Nas outras cidades do litoral do Paraná, os servidores contam com vale alimentação. Mas em Guaratuba a inovação é diferente: vale paciência.

Afinal, quem está na estrada o dia inteiro não precisa comer, precisa é de fé. Valorização? Essa deve estar no mesmo caminho do pagamento — em viagem, com previsão de chegada para daqui a um mês.

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A FAMOSA DANÇA DOS BANQUINHOS… OU SERIA DE INTERESSES?

Em Guaratuba, a música tocou e começou mais uma edição da tradicional dança dos banquinhos políticos. A subprefeita dos Coroados vira “vereadora”. Um vereador vira “subprefeito”. E assim segue o baile, cada um correndo atrás da cadeira mais confortável.

Enquanto isso, o povo assiste de pé.

Fica a pergunta: até onde vão os interesses políticos? E aquelas promessas de campanha? Regularização das posses, ligações de água, luz, melhorias básicas… ficaram na playlist antiga?

Porque, no fim das contas, o que pesa mais? O interesse próprio ou o interesse da população?

Pelo visto, para alguns, o importante é garantir o assento.

Já o povo… que espere sentado.

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SECRETÁRIO DE OBRAS VÊ CAMINHÃO DOS BOMBEIROS ATOLAR NA PRÓPRIA RUA

Olha a cena: caminhão dos bombeiros preso na lama justamente na rua do secretário de Obras. Isso mesmo. Se nem a própria rua ele consegue manter transitável, imagine o resto da cidade.

Enquanto isso, uma casa pegando fogo, moradores aflitos esperando socorro e o caminhão patinando no barro. Parece piada, mas é a realidade que escancara o abandono.

Ainda bem que existem os verdadeiros guerreiros do Corpo de Bombeiros. Mesmo com todas as dificuldades, fizeram de tudo, não desistiram e conseguiram atender a ocorrência. Se dependesse só das condições da rua, a história poderia ter terminado muito pior.

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O GAUDÉRIO DO MICROFONE

Mas bah, tchê… tem vivente que não pode ver um microfone que já se apruma todo, ajeita o chapéu e faz pose de dono da querência.

Corre nos galpões da política que o sujeito é ligeiro feito cusco em porteira aberta. Mal outro deputado consegue verba pra cidade, ele já se oferece: “Deixa que eu anuncio!”. E lá vai o gaudério, peito estufado, sorriso de canto de boca e discurso ensaiado, como se tivesse laçado o recurso no braço.

Só que, no meio da prosa, sempre esquece de dizer quem foi que realmente encilhou o cavalo e foi atrás da verba. O nome dos verdadeiros autores fica perdido no potreiro. Mas o dele… esse ecoa alto no microfone.

Dizem que, se bobear, inaugura até cerca sem arame — contanto que tenha plateia e câmera ligada. Porque mais importante que a lida é a foto.

E assim segue o rodeio: uns suam na batalha, outros aparecem na cerimônia. Bem faceiro… e sem perder o chapéu alheio.

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COMPLEXO ESPORTIVO OU COMPLEXO DO ABANDONO?

O cenário é digno de filme de suspense: cercas de alambrado caindo, estrutura torta, mato tomando conta do espaço que deveria ser de lazer e esporte. À noite, então, é praticamente um teste de coragem. Iluminação? Quase zero. Segurança? Só na promessa.

Enquanto isso, a turma do “filé mignon” aparece para segurar a cerca com as próprias mãos, tentando dar aquele jeitinho básico. Balança, entorta, range… mas ainda não caiu. Ainda.

A pergunta que fica é simples: até quando?
Até quando nossas crianças vão precisar treinar desviando de buraco, jogando bola ao lado de ferro solto e convivendo com o risco de um alambrado desabar?

Esporte é investimento. É futuro. É proteção social.
Mas do jeito que está, parece mais abandono premiado.

Porque maquiagem improvisada não substitui manutenção de verdade.
E cercas seguradas no braço não são solução — são retrato do descaso.

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