Irã promete vingança por Khamenei; Trump ameaça força “nunca vista”

Presidente iraniano diz que retaliará morte do líder supremo em ataque atribuído a EUA e Israel; bombardeios e protestos ampliam tensão no Oriente Médio

Redação Litorânea
Foto: AHMAD AL-RUBAYE / AFP

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste domingo (1º) que a República Islâmica tem “o direito e o dever legítimo” de vingar a morte do líder supremo Ali Khamenei, morto no sábado (28) durante ataques atribuídos a Estados Unidos e Israel. A declaração ocorre em meio a uma escalada militar que já provoca impactos em vários países do Oriente Médio.

“A República Islâmica do Irã considera o derramamento de sangue e a vingança contra os perpetradores e comandantes deste crime histórico como seu dever”, afirmou Pezeshkian, em mensagem divulgada pela mídia estatal.

Do lado americano, o presidente Donald Trump reagiu com tom igualmente contundente. Em publicação na rede Truth Social, advertiu que, caso Teerã intensifique os ataques, os EUA responderão com uma “força nunca vista antes”. Em entrevista ao portal Axios, Trump declarou estar preparado tanto para um conflito de curta duração quanto para uma guerra prolongada.

A retórica se reflete no campo de batalha. Israel anunciou novos bombardeios contra Teerã e afirmou ter destruído parte significativa do arsenal de mísseis iranianos. Em resposta, a Guarda Revolucionária lançou mísseis e drones contra alvos ligados aos EUA na região e contra território israelense.

Mísseis iranianos também cruzaram os espaços aéreos de países como Arábia Saudita, Catar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos. Explosões foram ouvidas em Riad, e interceptações ocorreram em Manama. Nos Emirados, autoridades relataram vítimas após ataques contra áreas próximas a aeroportos. Omã, que vinha atuando como mediador diplomático nas últimas semanas, também registrou bombardeios em um porto e em um navio petroleiro próximo à costa.

A crise provocou o fechamento de aeroportos, ativação de sistemas de defesa antiaérea e alertas à população civil em diferentes países.

Além da escalada militar, protestos se espalham pelo mundo islâmico. No Paquistão, manifestantes tentaram invadir o consulado dos EUA em Karachi; houve confronto com forças de segurança e registro de mortes. No Iraque, multidões se concentraram nas proximidades da Zona Verde de Bagdá, onde fica a embaixada americana, exigindo a retirada de tropas dos EUA.

A morte de Khamenei foi confirmada pela mídia estatal iraniana, que anunciou 40 dias de luto nacional. Segundo autoridades iranianas, familiares do líder também teriam morrido nos bombardeios. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou haver “fortes indícios” da morte do aiatolá após ataques contra um complexo em Teerã.

A sucessão no comando religioso e político do Irã ainda não foi detalhada, enquanto o Conselho Supremo de Segurança Nacional promete novos ataques. O cenário é de guerra aberta, com risco real de ampliação do conflito para além das fronteiras iranianas e israelenses.

Com ameaças públicas, bombardeios cruzados e mobilização popular em diversos países, o Oriente Médio entra em um dos momentos mais delicados das últimas décadas, sob o temor de uma escalada de proporções imprevisíveis.

Com informações da Agência ATP

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