O nascimento prematuro e a internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal representam um período de grande vulnerabilidade para famílias. No Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná apoia o Método Canguru, um modelo de cuidado que mantém o bebê em contato pele a pele com os pais e envolve acompanhamento multiprofissional.
A técnica tem impacto direto na saúde mental das mães. Pesquisas internacionais mostram que mães de prematuros internados têm 2,5 vezes mais chances de desenvolver depressão pós-parto, 40% apresentam sintomas depressivos, 26% ansiedade e 30% estresse pós-traumático.
O caso de Anna Karolina Rauth Debacco, de 29 anos, e seu filho Pedro, nascido prematuro extremo com 27 semanas, ilustra a importância do método. Pedro ficou 110 dias na UTI Neonatal do Hospital de Clínicas do Paraná, referência do Estado para o Método Canguru. Anna contou que o acompanhamento psicológico e a participação ativa nos cuidados do filho ajudaram a reduzir ansiedade, estresse e sentimentos de impotência.
O Método Canguru envolve uma equipe multidisciplinar, incluindo médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e assistentes sociais. Na Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (UCINCa), as mães ficam internadas 24 horas ao lado dos bebês, fortalecendo o vínculo e o aprendizado nos cuidados, mas também exigindo atenção à própria saúde mental e momentos de descanso.
Após a alta, mães com sinais de instabilidade emocional são encaminhadas à Atenção Primária à Saúde, por meio das Unidades Básicas de Saúde. Em 2025, o Paraná registrou cerca de 15,9 mil nascimentos de prematuros, segundo dados preliminares do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc).
O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, reforça que “o cuidado com o bebê prematuro é indissociável ao da família; uma mãe amparada tem melhores condições de criar o vínculo que o bebê precisa para se desenvolver”.
