A Polícia Federal solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspeição do ministro Dias Toffoli como relator da investigação sobre o Banco Master, liquidado pelo Banco Central. O pedido se baseia em mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que mencionam Toffoli e outras pessoas com foro privilegiado. Fachin notificou Toffoli para se manifestar sobre o caso, avaliando se há conflito de interesse.
O gabinete do ministro Toffoli afirmou que as menções se tratam de deduções e ilações, e que respostas formais serão apresentadas ao presidente da Corte. O conteúdo encontrado no celular de Vorcaro está sob sigilo e foi entregue à Justiça pelo diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues. Segundo informações, os diálogos reforçam suspeitas de proximidade entre o ex-banqueiro e o ministro-relator.
A atuação de Toffoli já havia sido alvo de questionamentos. Entre os episódios citados estão uma viagem para a final da Taça Libertadores em jatinho do empresário e ex-senador Luiz Oswaldo Pastore, na companhia de pessoas envolvidas no processo, e a condução de acareações que teriam extrapolado procedimentos da PF, com perguntas elaboradas pelo gabinete do ministro.
A acareação entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi conduzida com supervisão da delegada Janaína Palazzo, mas as perguntas iniciais foram sugeridas pelo ministro e ajustadas posteriormente.
Paralelamente, o Senado, por meio do presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Renan Calheiros, informou que solicitará acesso ao material apreendido no celular de Vorcaro e requisitará informações sigilosas das investigações, com base na Lei Complementar 105. O senador destacou que os trabalhos da comissão avançarão com depoimentos, começando pelo próprio Vorcaro, para acompanhar de perto o caso e garantir fiscalização sobre o sistema financeiro.
