Paraná passa a aplicar medicamento inovador para crianças com hemofilia A

Emicizumabe é disponibilizado para crianças de 0 a 6 anos, trazendo mais qualidade de vida e prevenção de complicações

Redação Litorânea
Foto: Arquivo pessoal da família

A partir deste ano, crianças de 0 a 6 anos com hemofilia A grave no Paraná começaram a receber o emicizumabe, medicamento inovador que melhora a coagulação do sangue e reduz drasticamente episódios de sangramentos. O tratamento é realizado pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

O emicizumabe foi incorporado pelo Ministério da Saúde ao SUS em 29 de dezembro de 2025, com prazo de até 180 dias para início das aplicações. No Paraná, o Hemepar disponibilizou o medicamento em apenas 30 dias, beneficiando crianças como Luca Rech e Souza, de 4 anos, cuja rotina até então era marcada por cuidados constantes e restrições devido à doença. Ao todo, 34 crianças já poderão iniciar o tratamento no Estado.

O medicamento é um anticorpo bioespecífico que mimetiza a função do Fator VIII ativado, prevenindo sangramentos e reduzindo a frequência de episódios hemorrágicos. Diferente do tratamento tradicional, que exige infusões intravenosas frequentes, o emicizumabe é administrado subcutaneamente, com doses semanais, quinzenais ou mensais, proporcionando maior conforto e segurança para as crianças.

Segundo a diretora do Hemepar, Vivian Patricia Raksa, a ampliação do acesso ao medicamento permite prevenir a artropatia hemofílica, condição que causa danos articulares irreversíveis, dor crônica e limitação de movimentos. Para a hematologista Claudia Lorenzato, o impacto é ainda maior: “Com essa nova terapia, as crianças poderão esquecer que têm hemofilia e ter uma vida mais próxima do normal, estudando, brincando e se desenvolvendo sem depender de infusões constantes”.

Os pais de Luca relatam a transformação na rotina familiar. Antes do novo tratamento, a casa precisava de adaptações para evitar acidentes, como pisos acolchoados e o uso de capacete em ambientes externos. Com o emicizumabe, as aplicações diminuem e passam a ser subcutâneas, permitindo que as crianças brinquem e cresçam com mais liberdade e segurança.

O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, comemora a ampliação do acesso: “Nossa rede de saúde, com o Hemepar como referência, está estruturada para levar este tratamento inovador às crianças com hemofilia A. É mais um passo importante para transformar a vida de muitas famílias no Paraná”.

Atualmente, o Estado possui cerca de 800 pacientes com hemofilia A, sendo que 40 deles já recebiam o emicizumabe. Com a ampliação do tratamento para crianças menores de seis anos, a expectativa é prevenir complicações graves e melhorar a qualidade de vida de muitas famílias paranaenses.

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