A Justiça do Paraná condenou dois empresários por estelionato no caso do desvio de recursos destinados à compra de um medicamento de alto custo para o tratamento de câncer da menina Yasmin, de 12 anos, em Cascavel, no Oeste do Estado. A sentença destaca que a fraude, envolvendo cerca de R$ 2,5 milhões, atrasou o tratamento e agravou significativamente o sofrimento da criança.
Foram condenados Lisandro Henrique Hermes e Polion Gomes Reinaux, responsáveis pela aquisição da medicação. As penas somam quatro anos, nove meses e cinco dias de prisão, em regime inicialmente fechado. Ambos estão presos desde agosto do ano passado. Um terceiro denunciado foi absolvido.
Em 2024, a Justiça determinou que o governo do Paraná custeasse o medicamento Danyelza, que precisava ser importado para o tratamento de Yasmin, diagnosticada com neuroblastoma, um tipo agressivo de câncer. Apesar da liberação do valor, a empresa contratada para a importação não entregou os medicamentos conforme previsto.
Segundo a decisão judicial, os réus utilizaram a reputação de suas empresas para conquistar a confiança das vítimas e se aproveitaram da estrutura pública para obter vantagem indevida. A juíza ressaltou que as consequências do crime foram graves, já que o atraso no tratamento fez com que a menina precisasse utilizar morfina a cada hora para suportar as dores enquanto aguardava o remédio.
A acusação avalia que a condenação pode ser revista para incluir crimes mais graves. A defesa de Lisandro Henrique Hermes informou que vai recorrer da decisão e afirma que ele não participou de nenhuma ação criminosa. A defesa de Polion Gomes Reinaux não se manifestou até a última atualização.
Enquanto a Justiça tenta recuperar os valores desviados, o governo do Paraná autorizou uma nova compra emergencial da medicação. Yasmin concluiu a primeira fase do tratamento no fim de 2024, sem resposta significativa. Em 2025, iniciou a segunda fase, mas ainda não conseguiu finalizar o protocolo. A doença avançou e atualmente a adolescente está debilitada e com dificuldades para caminhar.
“Sinto alívio, mas também revolta. A gente revive toda a angústia daquela espera”, afirmou a mãe, Daniele Aparecida Campos. Yasmin enfrenta o neuroblastoma desde 2018, quando tinha cinco anos, passando por períodos de remissão e recaídas, mesmo após cirurgias, quimioterapia e transplante de medula óssea.
Após decisão judicial, a família apresentou três orçamentos, e a empresa Blowout Distribuidora, Importação e Exportação Eireli foi escolhida para fornecer os medicamentos. No entanto, a empresa subcontratou outra importadora, que não cumpriu a entrega: o hospital recebeu apenas uma ampola do Danyelza, quando eram necessárias seis. Outro medicamento, o Leukine, também foi entregue de forma parcial, com apenas 10 das 60 caixas previstas, além de versões genéricas.
Na época, a Polícia Civil solicitou o bloqueio das contas das empresas envolvidas, que estavam praticamente sem saldo. As investigações também apontaram que os responsáveis já possuíam antecedentes por crimes de estelionato.
