Idosos com Alzheimer apresentaram melhora cognitiva após tratamento com cannabis medicinal, segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e apresentado em novembro do ano passado. A pesquisa é considerada a mais longa do mundo a testar canabinoides em pacientes com a doença.
O ensaio clínico, do tipo randomizado, duplo-cego e placebo-controlado, acompanhou 28 pacientes entre 60 e 80 anos durante 26 semanas. Metade do grupo recebeu extrato full spectrum de cannabis, contendo THC e CBD, enquanto a outra metade utilizou placebo. Ao final, os resultados foram comparados.
De acordo com os pesquisadores, o grupo tratado com cannabis apresentou melhor desempenho cognitivo, com base nos resultados do Mini-Exame do Estado Mental (MMSE). O coordenador do estudo, Francisney do Nascimento, destaca que este é o primeiro ensaio clínico no mundo a demonstrar melhora da memória em pacientes com Alzheimer.
“Já existiam estudos mostrando redução de agitação e ansiedade, mas melhora direta da memória foi observada pela primeira vez em nossa pesquisa”, afirmou.
O artigo foi publicado na revista científica Journal of Alzheimer’s Disease e integra uma série de pesquisas desenvolvidas pela Unila no Laboratório de Cannabis Medicinal e Ciência Psicodélica (LCP), reforçando o potencial terapêutico da cannabis no tratamento de doenças neurodegenerativas.
