A linha que separa um dia de lazer de uma tragédia pode ser medida em segundos. Para a família de Marcelo Zander, esse intervalo foi decisivo entre a vida e a morte na quarta-feira (14), em Guaratuba, quando foram surpreendidos por uma cabeça d’água no Rio São João. O reencontro, no sábado (17), com os policiais militares que os salvaram transformou o trauma em um abraço de gratidão entre a família e os soldados Alessandro de Moura Gouveia e Rafael Cabral de Lima, da Patrulha Rural do 9º Batalhão da Polícia Militar do Paraná (PMPR).
“É uma emoção muito grande ver eles nos abraçando e transmitindo toda essa alegria que sentem hoje, após um susto tão grande”, afirmou o soldado Gouveia durante a visita à residência da família.
O resgate começou poucos minutos antes do incidente. A equipe da Patrulha Rural realizava policiamento preventivo na região da Ponte Invertida quando decidiu fazer uma parada estratégica para reforçar a segurança dos turistas. “O rio estava aparentemente calmo, com bastante pessoas próximas, e resolvemos fazer um ponto-base”, relatou o soldado Cabral.
Cerca de três minutos após a parada, o cenário mudou completamente. “Eu olhei para o rio e percebi um grande volume de água descendo rapidamente. As pessoas começaram a correr e gritar por socorro”, contou Cabral.
Em instantes, Marcelo, a esposa e o filho, de cinco anos, ficaram isolados na correnteza. O pai relembra o desespero: “Ver meu filho quase sendo arrastado pela água, eu tentando socorrê-lo, minha esposa tentando ajudar… você se sente totalmente impotente diante da força da natureza”.
Os pedidos de ajuda ecoavam pelo local enquanto as pessoas ao redor não conseguiam se aproximar. “Meu filho escorregava das minhas mãos. Eu abracei os dois, já me afogando, com a água cobrindo, e então a polícia chegou no momento certo”, disse Marcelo, emocionado.
Sem tempo para protocolos ou equipamentos, os policiais entraram imediatamente na água. “Naquele momento, a gente não pensou em nada. A vontade de salvar vidas falou mais alto”, destacou Gouveia.
Para Cabral, a ação foi marcada por um sentimento difícil de explicar. “A gente se sente como uma ferramenta usada por Deus, porque estar ali naquele momento não tem explicação”, afirmou.
O resgate foi bem-sucedido e, apesar de escoriações e hematomas, a família foi retirada da correnteza em segurança. No reencontro, o clima foi de alívio ao ver a criança brincando e a família reunida. Para os policiais, esse é o maior reconhecimento da profissão.
“Preservar e salvar vidas é fundamental para a Polícia Militar. A alegria continua a mesma, assim como a dedicação. Se amanhã acontecer algo parecido, o policial militar estará lá ajudando a população”, reforçou Gouveia.
Ao final do encontro, Marcelo fez questão de expressar a gratidão. “Muito obrigado. Sem vocês, eu não teria saído da água. Sem a força de vocês, eu, meu filho e minha esposa não estaríamos aqui”, disse.
